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No blogue escrevo meus próprios textos (contos, crônicas, poemas, prosa poética) e também sobre os mais variados assuntos: literatura, cinema, viagens, gastronomia, amenidades, humanidades, música. Tudo que me toca. E que possa tocar os leitores.

sábado, 4 de agosto de 2012

Safo de Lesbos

Na imagem, Safo de Lesbos.






De novo num turbilhão
Amor me desalinha
Doçura amarga
Fera implacável.

(Safo de Lesbos)

Mistérios de um Centauro

Mistérios de um centauro...

"Sagitário (22 nov. a 21 dez.)

Parcerias e sociedades andam bem neste sábado, dia de Saturno, o senhor do tempo, que lhe envia pensamentos sóbrios, considerações justas e avaliações sensatas. A alma anda instável, descontente, viaja por ai, em universos misteriosos."

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Aos meus leitores da Polônia e da Alemanha, Estados Unidos e Rússia

Fico aqui com meus botôes (expressão antiga, que só gente dos 40 e tantos como eu conhece) pensando quem será (serão) meus leitores ou leitor longínquo da Polônia e da Alemanha que frequenta(m) a simplicidade e a pessoalidade do meu blogue... Alguns leitores eu sei que caem de paraquedas fazendo uma busca qualquer de uma palavra no google. Devem entrar e desavisados logo em seguida sair.
Mas se a Polônia entra todos os dias no meu site, é porque me lê, não porque cai de paraquedas todos os dias, certo? O mesmo para Alemanha e Rússia. E Portugal e Estados Unidos. Serão brasileiros perdidos ali? Será gente que está aprendendo português? Não sei. Mas confesso que apesar de não ter uma natureza curiosa (típico da alma feminina), isso me instiga. Quem serão eles, que em pleno verão europeu estão clicando em meus textos mais antigos, talvez me lendo e me conhecendo de certa forma, sabendo o que gosto de ler, que cidades visitei na última viagem, que fui ao Rio de Janeiro no último fim de semana, que adoro arte e livros e pessoas e vinho, quais são os auotres mais gosto, os poemas de que mais gosto, que músicas costumo ouvir?
Isso é extremamente instigante.
A estes leitores destino meu post de 14 de junho de 2012, algo meio "Amores expressos" (o filme, se lembram? Belíssimo.), esses fragmentos de nossa vida fracionada diária, que tentamos compor e recompor sempre num mosaico, para que possamos oferecer a quem amamos.
"Partners" podem viver de torpedos, i-phones, e-mails, msn e todas as parafernálias eletrônicas que a vida moderna e tecnológica oferece, sem restrições. Mas desde que haja o essencial: desejo (e sentimento).

quinta-feira, 14 de junho de 2012
Amores expressos, via I-phone


Um homem, uma mulher, um sentimento, uma grande cidade, fragmentos que tentam se conectar. Amores expressos, como o filme.

E-mail:

E aí? Vc quer sair hj? noite fria. Jantar, talvez?
Me dá um toque. Afinal, é o dia! ;-))

V.
via I-phone


E-mail-Resposta:
Ah. Não sei... Vc tinha dito que hj não íamos comemorar pq tinha plantão... Eu meio que desencanei, deixamos pro sábado? O q vc acha?
Hummm... ou vc tem plantão de novo?! Oh Lord... q saco esse negócio de plantão...
S. (via tablet)

E-mail:
Nâo tenho, O plantão de hj furou. te vejo no sábado tb, mas quero tb hj.
Ah! já sei. os arrastões.... rsrs Se tiver arrastão, pronto: te jogo na rede: digo que é minha sereia... eh-eh eles te levam.
Vamos, como faço pra t convencer? Bar jantar e esticar...
Gata arisca de areia...
BJ
V.
via I-phone


E-mail-Resposta:

Gatão,
Se vc me jogar na rede de arrastão dos assaltantes, vão ter dificuldade de arrastar os meus 66 kg! ahahahahah Todos os tablets, iPads, iPods, iPhones e outros 'is' da vida eles deixarão pra trás por dificuldade de carregar junto com meu traseiro... só irei eu na rede... eh-eh
Não sei, deixamos pro sábado, ta bem? Eu cheguei agora do trabalho, nem me arrumei pro nosso dia... E um gato como vc merece uma gatona. Estou mais pra esqueleto de sardinha. Não tava esperando essa mudança de planos... vou 'pular', ta bem? Não fica chateado.
Mas te gosto. Muito. "Tá ligado no movimento?" ;-))
S.

E-mail:
Pena. queria sua risada (gargalhada, melhor.). O dia foi difícil no hospital, duro. Teu humor ia cair bem hj, e depois 'outras coisas prateadas' -Adélia Prado -- vc me mostrou-- tb. vc me mostrou(gostou?).
"Estela", me rendo. bj, bom... . sábado então.
V.
via I-phone

E-mail-resposta:
"Recuo súbito da trama!" Ops (mostro mais esta: Ana Cristina cesar, ou simplesmente Ana C.). Tô convencida! Um homem que cita Adélia Prado merece mais que três dias de espera.
Tõ pondo os sapatos e o casaco. Vou fazer um modelito rápido. Na verdade, a maquiagem tava pronta...
Onde te encontro? (Ah! Leva meu presentinho... clicks! Clocks! :-)))) )
S.

E-mail:
Vai entender uma mulher... rs Não sei se fico :-) ou :-(
Última chamada: esquina do bar Balcão, 22h,.
usa aquele seu perfume Channel Chance e um casaco por cima. E só. Nua por baixo. Entendeu? Presente? Não comprei, caralho! Mulheres...
Teve arrastão lá ontem, não é possível ter hj! ;-)
Bj, (e plz: não atrasa muito..., não tô a fim de esperar 55 minutos como sempre, tô falando sério, "tá ligada"? ;-) Tô cansado e quero comer algo e tomar um vinho com vc do lado! Sério!
V.
via I-phone



E-mail-resposta:
Última chamada: Estação-felicidade. Rumo ao bar Balcão, se possível, sem arrastão.
estarei lá, sem atrasos hj, promiss you! envolvida em Chance. me aguarde! vc não sabe, além do Chance, sob o casaco, o q te espera.
S.

* Foto: Marylin Monroe, na campanha do perfume Channel n. 5. Numa entrevista, quando se perguntou a ela o que vestia ao dormir, ela respondeu algo como: "Apenas duas gotas de Channel n. 5".

"Um verão escaldante" e uma situação na sala de cinema

Para ver a crítica de "Um verão escaldante" acesse o site Omelete: http://omelete.uol.com.br/cinema/um-verao-escaldante-critica/

Fui assistir a Um Verão Escaldante (Un Été Brûlant, 2011), filme do diretor Philippe Garrel. Admiradora do cinema francês, gosto daquela câmera lenta, daquelas cenas silenciosas em que qualquer alfinete que caia na sala do cinema pode ser ouvido, dos closes eternos, das cenas eternas, do corpo nada perfeito das atrizes...
Monica Belluci está maravilhosa. Linda. Gostosa. Aquela boca que sempre pede um beijo. Mas sobretudo neste filme ela está febril, sedutora. E atenção para uma cena de uma festa em que ela dança, sensual como uma sereia saída das águas, arrebanhando homens e mulheres. Inesquecível. Impagável. Uma das cenas mais sexy do cinema. Ela está belíssima dançando de costas num tomara que caia preto.
Bem, tudo certo. Já viram que sou entusiasta de Monica Bellucci, a bela, e do cinema francês.
Mas houve uma situação que me constrangeu muito no cinema naquele dia. Em geral, esse público de cinema francês é mais silencioso que o normal (que anda bem barulhento, diga-se de passagem). Bem, como fui convidada para ir ao cinema e me pediram para escolher o filme, até aí tudo certo. Cumpri meu papel. Mas eis que, isso eu não sabia, meu acompanhante não entendi bem por que, começou a me fazer perguntas durante o filme -- um filme tenso, silencioso...
Isso me causou contrangimento e certa aflião e tensão. Eu costumo ser muito silenciosa no cinema, e se tenho que comunicar algo falo bem baixinho no ouvido da pessoa para não atrapalhar quem está sentado perto de mim... Quando estão falando alto perto de mim, reclamo e digo que estão incomodando. Acho extremamente deselegante falar durante a sessão do filme. Eis que nesse dia que me acompanhava fazia perguntas sussurradas (detalhe: desnecessárias), mas num tom que era possível ouvir e incomodar ao redor. Eu comecei a ficar tensa... Depois de várias falas, tive que ser desagradável, e joguei meu cotovelo para o braço da poltrona da esquerda, assim ficaria totalmente longe e seria difícil a comunicação... Talvez ele entendesse o sinal! Pensei! Mas não, ledo engano.
Depois de uns quinze minutos, mais uma pergunta. Não tive dúvida: disse que a gente tinha que ficar quietinho, porque estávamos incomodando a galera ao redor com a conversa... Foi muito chato. Depois dali atuei como uma dama. Saímos, café, conversa, tudo certo. Voltei pra casa com a sensação de que não rolaria mais nenhum cinema depois disso. Nem um, nunca mais.
Recebi alguns torpedos e telefonemas. Respondi e fui simpática, porque essa é minha natureza, não consigo ser direta e sincera, infelizmente. Mas depois, não atendi mais aos telefonemas e não respondi mais aos torpedos. Achei por bem que minha sinceridade tomasse esse formato.
Eu tenho pensamentos e sentimentos confusos. Sou confusa quanto ao que quero; tenho recaídas e às vezes não quero mais depois... Mas há coisas que uma mulher sabe que não quer mais experimentar na vida. Certamente, isso eu sei bem que não quero mais.

Roland Barthes, a primavera e o amor

Olhando minhas estatísticas do blogue de hoje, vi que: Alemanha, Rússia, Estados Unidos e Brasil ficaram antenados em alguns textos. O engraçado, ou interessante, é que em todos esses textos visualizados o tema, em algum momento, é o amor. Pincei um deles, que escrevi no dia 12 de junho, e resolvi (re)postar hoje, já que estamos caminhando lentamente para a primavera, e este foi um dos textos mais acessados dos últimos tempos.
Espero que gostem do calorzinho metafórico que ele traz: a primavera delicada e o calor tênue do sentimento (o amor), esse nosso companheiro sagrado ao longo da vida. Esse que, apesar de alguns momentos não termos próximo, procuramos, com a calma dos sábios -- toda a paciência, pois um dia ele virá. Enquanto isso, vamos brincando com brinquedos sutis...


terça-feira, 12 de junho de 2012
Roland Barthes, a Primavera e o amor

"(…) No encontro, maravilha-me o fato de ter achado alguém que, com pinceladas sucessivas, e cada vez mais bem-sucedidas, sem falhas, conclui o quadro da minha fantasia; sou como um jogador cuja sorte não se desmente e faz com que ele ponha a mão na pequena peça que vem, já na primeira tentativa, completar o quebra cabeça de seu desejo. É uma descoberta progressiva (e como que uma verificação) das afinidades, cumplicidades e intimidades que poderei manter eternamente (…)" (Roland Barthes, in Fragmentos de um discurso amoroso)

É inverno. Incólumes a qualquer estação, sentimentos calorosos neste exato momento estão nascendo pueris, ou terminando, morrendo, ou em crise, numa pausa estratégica ou simplesmente há aqueles que querem estar solteiros por opção.
Não importa: dentro de nós há sempre uma senda, uma fissura, uma fenda, uma fechadura, e por ela transitam nossos melhores sentimentos -- os afetos que dedicamos aos outros. Seja namorado. Seja um ficante. Seja um amante. Seja companheiro eterno. Seja pai e mãe. Seja filho ou filha (que é o meu caso, não é doce dádiva, Isadora, o presente de Ísis?). Sobrinha (como é meu caso, não é Anabela querida?). Irmão ou irmã (minha doce Mary e sua delicadeza e constância). O nosso dog ou cat ou bird. Estamos sempre renascendo por meio do amor. E do cuidado que ele faz que tenhamos para com o destinatário desse nosso sentimento. "O amor está fora de moda", me disseram. Mas quem não gosta de usar um modelito vintage? Fora de moda ou não. Artigo de brechó ou simplesmente fluxo natural daqueles que não têm medo de si nem do outro. Não importa o tipo, ou a quem o dedicamos. Amar nos tira desse lugar de saara humano e nos eleva à condição de renascer, sempre, ampliar o sorriso e usufruir daquele brilho que só os que amam podem ter...
A primavera ainda não chegou para nós, mas para quem ama (ou está apto a amar), como eu, você e tantos outros, ela tem seu lugar reservado o ano todo.

Primavera

Leve torpor nos sentidos.
A natureza: luz delicada
e cores recém-nascidas.
No mundo dos homens, alvoroço.
Tudo pode acontecer --

Ao chegar, estarei pronta.
E direi as palavras mágicas:
Pode entrar.
Na minha casa.
E no meu coração.

(Do meu minilivro 4a estação, de dezembro de 2011. Projeto gráfico, claro: Raquel Matsushita.)

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Texto encontrado numa garrafa 3

Eu estava zapeando no Facebbok. Como disse a meu amigo recém-adquirido Pereira, sou uma analfabeta digital: nem fuço no Face, seque vejo as fotos de minha filha, mal posto as minhas próprias, apesar de saber fazer isso e bem... Ele afirma que não. Mas eu, em nossas conversas diárias, que são deliciosas graças à sua rapidez de neurônios e ideias e palavras e insights, vou abrindo minhas fissuras, que são muitas. Vou derramando minha autoimagem equivocada mas com mancha de humor sarcástico, irônico, que eese é meu jeito de me projetar no mundo: tiro o véu, mas tem que ser um 'devoiler' irõnico, senão, não seria ru... Para fechar minhas fissuras abertas, deposito mensalmente o metal com que tento suprir minhas perdas que levaram a essas rachaduras.
O metal serve para semanalmente, num bla-bla-blá incessante, tentar preencher essas microfissuras com um cimento delicado e, assim, curar minhas feridas, minhas faltas, meus bloqueios, meus erros, minha rigidez que me cansa e extenua, minha timidez infinita, minha atrapalhação afetiva que não me deixa chegar àquele lugar onde todo atleta emocional deseja: o topo da vida.
Pereira parece ser alguém descolado, e eu sempre admirei esse jeito secretamente a distância (agora não mais secretamente... dado que expresso isso publicamente aqui no blogue), agora escancaro aqui neste blogue minha admiração: ele parece deslizar pela vida assim como desliza pelas ideias brilhantes que jorra em meu Face, as palavras surgidas como se fossem de uma máquina de fazer ideias com brilho de purpurina logo pela manhã, assim como levanta meu astral logo cedo com uma mensagem-resposta a ontem, com a delicadeza de quem parece levantar o astral de seus inúmeros amigos -- que ele tem, isso é claro para qualquer um. Também parece saber de tudo um pouco, ou muito, não sei direito ainda, mas já saquei isso logo de cara.
Pois na minha analfabetice digital, eu vi um post de minha amiga Sandra Regina, a poeta do livro Haicaos... E me pareceu, a mim, a esta mulher que escreve agora este post aqui neste blogue simples, pessoal, um texto encontrado numa garrafa, boiando no mar, pronto para satisfazer minhas sensações.
Eu, que já escrevi aqui em meu blogue dois textos intitulados "texto encontrado numa garrafa"... Agora presenteio vocês, leitores, com este belo texto de Marla de Queiroz, postado por Sandra:

SOBRE A RENÚNCIA

Renunciar a algo que amamos muito e que desejamos com toda a força do coração, é uma das decisões mais cruéis de se tomar que conheço. Porque a perda equivale a uma morte dupla: morrer para alguém e matar a pessoa na gente. É como se sobrasse por dentro apenas um casarão vazio com um jardim morto. E,
de repente, tudo tão subitamente anoitecido sem previsões de dia novo. É um caminhar lento e arrastado numa espera sombria de que as horas passem e o tempo leve essa febre alta sem medicação possível. É preciso que haja tanta paciência e firmeza por dentro para não entrar em desespero, que a sensação que se tem é de estar meio fora do ar, por causa do esforço. E até chorar fica difícil, teme-se que nunca mais o choro cesse.
Há muitas perdas quando se termina algo que não se queria ter terminado: muda-se a autoimagem, alegrias ficam suspensas, sonhos desaparecem por um tempo e nenhuma cor na paisagem. O cotidiano fica obscurecido por aquela lacuna aberta no meio do que era a parte mais interessante dos dias.
Com o tempo, você analisa que abrir mão de algo muito importante, só se faz quando se tem um motivo maior que esse algo: seja um propósito, uma crença, um valor íntimo, uma obstinação qualquer que te oriente para essa escolha que já se sabia tão dolorosa. É um sacrifico voluntário por algo mais pleno, mais grandioso em Beleza. E, nestas análises, você descobre outras perdas que são positivas: perde-se também a ansiedade, a insegurança e a ilusão. E você aprende a recomeçar agradecendo por vitórias tão pequenininhas... Como quando é noite e, antes de dormir, você se enche de gratidão:
“Deus, obrigada, porque é noite e eu tenho o sono... Que venha um sonho novo, então.”


(Marla de Queiroz)

Agosto

"Que há bruxas, há!"

Que agosto traga suas bruxas e que elas me protejam.