Sandra Brazil / Literatura, poemas, contos, crônicas, cinema, viagens. O título deste blogue se refere à poeta grega Safo de Lesbos e sua filha Cleïs, a quem ela dedicou o belo poema "O tesouro".
Quem sou eu
- Sandra Brazil
- No blogue escrevo meus próprios textos (contos, crônicas, poemas, prosa poética) e também sobre os mais variados assuntos: literatura, cinema, viagens, gastronomia, amenidades, humanidades, música. Tudo que me toca. E que possa tocar os leitores.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
A nudez das palavras
La danse, Henri Matisse
A nudez das palavras
Atiradas
ao chão.
Meias-verdades.
Mentiras performáticas.
Inverdades brilhantes.
Ao redor
da cama.
O jeans.
A lingerie.
O não-sim feminino.
Movimento de
pêndulo,
mergulho no poço.
Como numa prece
feerica
minha boca desfere
onze letras:
-- Gosto de você.
E as palavras
dançavam ali,
inteiras e nuas.
Inteiras e nuas.
Como eu.
domingo, 26 de agosto de 2012
Amor à grega
Safo de Lesbos
"De novo inquieta, num turbilhão,
Asa de vento: Amor
Me desalinha,
Doçura amarga, fera
Implacável..."
(Safo de Lesbos)
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Insensatez
Num ponto da estrada, lá atrás, existe um enclave. Apesar dos prazeres da carne, das alegrias do coração, do frescor do merecimento e dos novos tempos, da brisa que vive tocando meu coração, vez por outra meu rosto se volta para aquele ponto difícil que ficou enterrado lá atrás. E isso faz muito, muito tempo...
Como uma fonte, mas que verte, em vez de água, um líquido escuro, deixei-a para trás, enterrada como o corpo de um falecido não querido, do qual você quer se livrar rapidamente. Apesar de todo meu otimismo, apesar de minha tendência alegre vital de desviar de qualquer tendência ao sofrimento desnecessário, tendo seguido numa estrada de uma via em frente e avante, essa fonte de dor coagulada, como todo ente morto, é um fantasma. E como todo fantasma-mala, vez por outra vem me assombrar. É então que meu rosto, que só tem olhos para o futuro, num átimo, se assusta e se lembra, como num filme macabro, de tudo. Rápido se vira para trás, automático, com medo. Não quero mais daquilo.
O fantasma corre célere, querendo me tomar de novo, lanhar meu corpo, tomar minha alma, assaltar meu sentimento delicado. Não! Não mais. Aprendi com pitadas amargas esta lição. Ao entregar tudo o que eu tinha, ao ficar nua, ao dar em bandeja de prata minha cabeça e meu coração, um João Batista de saias, eu me perdi. E ao me perder eu perdi o crivo, a razão, a dignidade, o limite. A sensatez.
"Quem nunca amou/ não merece ser amado", diz Tom Jobim. Entregue, não pensei nem pestanejei, não refleti sobre esta frase, e mergulhei sem saber se havia água para me receber.
A assombração arfa em minha nuca. Arrasta-se querendo mais, querendo mais. Querendo perversamente passar a lâmina e se deliciar.
Não. Giro rapidamente o corpo para a frente: o futuro e todas as possibilidades de sensatez. Um leque. O perverso foi enterrado sem honrarias, sem choro, sem sofrimento. Não derramei uma lágrima sobre seu esquife. Não verti ecos de dor nem joguei um punhado de terra em sua sepultura. Apenas corri do mal que ele dissemina por onde passa, o mais rápido que pude. Faz tanto tempo... Mas o mal, meu caro, ele é um rastro do qual temos que fugir para sempre. Uma vez feito, ele assombra.
A distância, sinto seu esgar, mas já estou tão longe que meu pânico já não existe. Que o morto descanse. Eu sigo meu caminho adiante: meu coração e minha cabeça resgatados daquela odiosa bandeja de prata.
A sensatez, agora, com olhos atentos e alertas. Fixos no futuro.
Como uma fonte, mas que verte, em vez de água, um líquido escuro, deixei-a para trás, enterrada como o corpo de um falecido não querido, do qual você quer se livrar rapidamente. Apesar de todo meu otimismo, apesar de minha tendência alegre vital de desviar de qualquer tendência ao sofrimento desnecessário, tendo seguido numa estrada de uma via em frente e avante, essa fonte de dor coagulada, como todo ente morto, é um fantasma. E como todo fantasma-mala, vez por outra vem me assombrar. É então que meu rosto, que só tem olhos para o futuro, num átimo, se assusta e se lembra, como num filme macabro, de tudo. Rápido se vira para trás, automático, com medo. Não quero mais daquilo.
O fantasma corre célere, querendo me tomar de novo, lanhar meu corpo, tomar minha alma, assaltar meu sentimento delicado. Não! Não mais. Aprendi com pitadas amargas esta lição. Ao entregar tudo o que eu tinha, ao ficar nua, ao dar em bandeja de prata minha cabeça e meu coração, um João Batista de saias, eu me perdi. E ao me perder eu perdi o crivo, a razão, a dignidade, o limite. A sensatez.
"Quem nunca amou/ não merece ser amado", diz Tom Jobim. Entregue, não pensei nem pestanejei, não refleti sobre esta frase, e mergulhei sem saber se havia água para me receber.
A assombração arfa em minha nuca. Arrasta-se querendo mais, querendo mais. Querendo perversamente passar a lâmina e se deliciar.
Não. Giro rapidamente o corpo para a frente: o futuro e todas as possibilidades de sensatez. Um leque. O perverso foi enterrado sem honrarias, sem choro, sem sofrimento. Não derramei uma lágrima sobre seu esquife. Não verti ecos de dor nem joguei um punhado de terra em sua sepultura. Apenas corri do mal que ele dissemina por onde passa, o mais rápido que pude. Faz tanto tempo... Mas o mal, meu caro, ele é um rastro do qual temos que fugir para sempre. Uma vez feito, ele assombra.
A distância, sinto seu esgar, mas já estou tão longe que meu pânico já não existe. Que o morto descanse. Eu sigo meu caminho adiante: meu coração e minha cabeça resgatados daquela odiosa bandeja de prata.
A sensatez, agora, com olhos atentos e alertas. Fixos no futuro.
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
"Te devoro": me aguarde, é só uma questão de tempo....
"(...)
Eu quero mesmo é viver
Pra esperar, esperar
Devorar você"
Me aguarde. Você não sabe com quem está lidando... Posso ser um tigre, milênios à espera.
Eu Te Devoro
(Djavan)
Teus sinais
Me confundem da cabeça aos pés
Mas por dentro eu te devoro
Teu olhar
Não me diz exato quem tu és
Mesmo assim eu te devoro
Te devoraria a qualquer preço
Porque te ignoro ou te conheço
Quando chove ou quando faz frio
Noutro plano
Te devoraria tal Caetano
A Leonardo di Caprio
É um milagre
Tudo o que Deus criou
Pensando em você
Fez a via-láctea
Fez os dinossauros
Sem pensar em nada
Fez a minha vida
E te deu
Sem contar os dias
Que me faz morrer sem saber de ti
Jogado à solidão
Mas se quer saber
Se eu quero outra vida,
Não, não.
Eu quero mesmo é viver
Pra esperar, esperar
Devorar você
Eu quero mesmo é viver
Pra esperar, esperar
Devorar você"
Me aguarde. Você não sabe com quem está lidando... Posso ser um tigre, milênios à espera.
Eu Te Devoro
(Djavan)
Teus sinais
Me confundem da cabeça aos pés
Mas por dentro eu te devoro
Teu olhar
Não me diz exato quem tu és
Mesmo assim eu te devoro
Te devoraria a qualquer preço
Porque te ignoro ou te conheço
Quando chove ou quando faz frio
Noutro plano
Te devoraria tal Caetano
A Leonardo di Caprio
É um milagre
Tudo o que Deus criou
Pensando em você
Fez a via-láctea
Fez os dinossauros
Sem pensar em nada
Fez a minha vida
E te deu
Sem contar os dias
Que me faz morrer sem saber de ti
Jogado à solidão
Mas se quer saber
Se eu quero outra vida,
Não, não.
Eu quero mesmo é viver
Pra esperar, esperar
Devorar você
sábado, 18 de agosto de 2012
Uma visão da vida
Humor não é um estado de espírito, mas uma visão de mundo.
(Ludwig Wittgenstein)
Disponível em Hierophant
terça-feira, 14 de agosto de 2012
domingo, 12 de agosto de 2012
Alguma felicidade
Manhãzinha de domingo. Eu sei que deveria postar algo sobre o Dia dos Pais. Mas dentro de mim há um tambor rufando como se fosse numa floresta. Um animal selvagem apura os ouvidos como se algo fosse acontecer. Gira em torno de si inquieto. Mas eu sou toda plácida, complacente. A vida segue seu rio, e não estou preocupada com a próxima curva. Uma fase deliciosa da vida. Dentro uma certeza-não certeza deita-se e descansa. E espera que o Universo traga uma bandeja bonita e cheia de víveres. Se vier, que bom. Se não vier, tudo bem. O que está construído dá conta de nossas alegrias e algum êxtase. Demorei a me dar conta de que tudo que tenho garante minha felicidade.
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