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No blogue escrevo meus próprios textos (contos, crônicas, poemas, prosa poética) e também sobre os mais variados assuntos: literatura, cinema, viagens, gastronomia, amenidades, humanidades, música. Tudo que me toca. E que possa tocar os leitores.

terça-feira, 18 de março de 2014

Concerto

Um dia, há muito tempo, ele chegou atrasado ao nosso encontro. Eu não sabia. Ele não sabia. Mas era um encontro marcado. Havia uma bicicleta caída no gramado. O script era roubarmos e fugirmos juntos, pedalar pela vida. Eu chegara cedo à sessão censurada e proibida. Míope, aterrei meus óculos bem lá na frente para assistir. Ele só chegou muito tempo depois, atrasado, como sempre, conseguiu lugar na última fila. A bicicleta ficou esquecida. Eu assisti toda a sessão, caxias. Ele sumiu por um beco qualquer, nos perdemos.
Os ombros esbarraram nas livrarias, nos cafés, nas filas de cinema, mas não sabíamos que a vida é um sorvedouro. Despercebemos e seguimos cursos e fluxos, e abriram-se sendas.
Muito tempo depois, tentando fugir do sorvedouro atroz, ele pinçou um pôr de sol que eu lamentava numa tarde de outono. Deu de presente a distância. Sem sequer saber do gramado, da sessão proibida, da bicicleta, do tudo que o acaso concertara em suas mãos.

Um comentário:

  1. arte imita vidas

    palavras lindas

    idas e vindas

    infinitas partidas

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